Havia um casal que, apesar de serem pessoas virtuosas e tementes a Deus, vivia em extrema pobreza. O homem trabalhava muito duro como operário, e ganhava pouco dinheiro.
Certa vez, quando estava ocupado no campo, um árabe apareceu diante dele e o cumprimentou. Esse homem era ninguém menos que o profeta Elias – Eliahu Hanavi – disfarçado, mas o judeu não sabia disso. Ele respondeu ao cumprimento e voltou ao trabalho.
Eliahu Hanavi falou novamente: “Deus conhece a sua pobreza e deseja lhe garantir seis anos de prosperidade e riqueza. Você poderá comprar tudo o que seu coração desejar quando estiver rico. Quando você quer estes anos? Agora? Daqui a algum tempo?”
O homem não acreditou no árabe e respondeu: “Por favor, me deixe em paz. Preciso trabalhar.”
Eliahu Hanavi virou-se e foi embora. Mas na manhã seguinte, quando o operário estava ocupado com o arado, ele recebeu uma nova visita do homem em forma de árabe, que lhe perguntou: “Deus deseja lhe conceder seis anos de riqueza. Quando você os quer?”
O homem não considerou a proposta, assim como no dia anterior, e disse: “Eu não acredito em você. Vá embora e não me atrapalhe. Tenho trabalho a fazer.”
Mas quando Eliahu apareceu no terceiro dia, o judeu acreditou que havia alguma coisa naquilo que lhe era dito e respondeu: “Espere aqui. Vou perguntar à minha esposa.”
O operário correu para casa e contou à sua esposa sobre as três visitas e a oferta dos seis anos de grande riqueza e perguntou-lhe o que ela faria.
Ela respondeu: “Peça para Deus que conceda os seis anos já.”
Quando retornou ao campo, o homem encontrou Eliahu Hanavi aguardando a resposta e disse-lhe: “Queremos os bons anos imediatamente.”
“Muito bem” – disse o árabe –, “vá para casa. Você verá que Deus já o abençoou!”
As pobres crianças do homem brincavam na areia do quintal. De repente, quando cavavam inocentemente, descobriram um baú cheio de moedas de prata e correram para mostrar à mãe o que haviam encontrado.
O trabalhador voltava para casa justamente naquele momento e viu suas crianças carregando o tesouro, quando o pegou delas. Ao espalhar o conteúdo sobre a mesa em seu barraco, viu que havia dinheiro suficiente para sustentá-los durante seis anos exatos! Constatando isso, a família agradeceu a Deus pela Sua grande bondade e celebrou unida.
O homem perguntou à esposa: “O que devemos fazer com esta enorme soma de dinheiro?”
Ao que ela respondeu: “Pegaremos o quanto precisamos para nossas necessidades básicas, deixando o resto para a distribuição a causas nobres.”
Depois, mandou seu filho para comprar um caderno, pois dali em diante anotaria diariamente cada quantia que dariam aos pobres.
Assim passaram-se os seis anos.
Ao final desse tempo, Eliahu Hanavi veio para o judeu e disse-lhe: “Chegou o tempo de você devolver tudo o que Deus lhe dera.”
O judeu respondeu: “Primeiro devo avisar minha esposa.” Correu para casa e contou à esposa que aquele mesmo árabe que os visitara seis anos antes havia voltado para reaver o dinheiro.
“Vá!” – disse ela. “Diga-lhe que, se encontrar pessoas que administrem o dinheiro melhor que nós, que o entregue a elas!”
Deus, que conhece tudo aquilo que é oculto à vista humana, sabia de todo o bem que aquelas pessoas fizeram com o dinheiro que havia dado a elas. Ele disse então a Eliahu Hanavi que não lhes retirasse a fortuna. Mais do que isso, disse a Eliahu que multiplicasse a riqueza do casal em várias vezes a fim de que pudesse prosseguir com suas boas ações pelo resto da vida.
(De acordo com Ialcut Shimoni Rut 607)
Extraído da série CONTOS DE TSADIKIM









