por David Gorodovits
Conta uma fábula de nossa tradição que, num lugarejo da Polônia, vivia um judeu muito pobre, que lutava arduamente para prover o sustento de sua família.
Muitas vezes se perguntava o que poderia fazer para aliviar os rigores de seu trabalho e proporcionar uma vida melhor a seus filhos.
Certa noite, sonhou que um gênio lhe falava, aconselhando: “Junto à entrada do jardim central de Varsóvia está enterrado um tesouro. Vá buscá-lo e acabe com sua pobreza”.
Ao acordar, relembrando o sonho, pensou que teria sido, talvez, uma resposta a seus anseios e, esperançosamente, dirigiu-se a Varsóvia.
Lá chegando, esperou o anoitecer, quando então encaminhou-se ao jardim, munido de ferramentas para escavá-lo, mas nada ousou fazer ao perceber que uma sentinela patrulhava sua entrada.
Postou-se a espera de que, talvez, o soldado se afastasse e o observou atentamente.
Para sua admiração, percebeu algo que lhe pareceu muito estranho: enquanto marchava, de um lado para outro, a sentinela ria às gargalhadas.
Deixando-se vencer pela curiosidade, a ponto de esquecer o tradicional medo que tinha de soldados, perguntou qual a causa de tal comportamento.
Recebeu uma resposta totalmente inesperada:
“Estou rindo”, disse o soldado, “porque não posso esquecer um sonho que tive há algumas noites. Imagine que, em meu sonho, um velho judeu, lá do interior, vinha até aqui em busca de um tesouro, ignorando que, na realidade, ele estaria enterrado sob a lareira de sua casa”.
Subitamente, compreendendo o significado dos dois sonhos, o judeu retornou à sua casa e lá encontrou o verdadeiro tesouro.








